História

HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DO ATLETISMO

Os historiadores dizem-nos que já no ano 2000 a.C. se realizavam competições e jogos atléticos. É claro, que eles não falam no Atletismo como prática de exercícios corporais baseados simplesmente nos gestos naturais do homem, tais como, marchar, correr, saltar e lançar, pois isso faria trazer o seu estudo às mais remotas origens da espécie humana, uma vez que o Homem Primitivo tinha que apelar a todas as suas faculdades físicas, de colaboração com as intelectuais, na sua luta pela sobrevivência.

Na verdade, o Atletismo é, sem dúvida, o mais antigo dos desportos. O andar, o correr, o lançar e o saltar nasceram com o próprio Homem. Estes padrões motores são capacidades naturais que o Homem realiza desde que se horizontalizou definitivamente, convertendo-se ao bipedismo, primeiro, num meio de subsistência eficaz e, depois, numa atividade específica e diferencial relativamente aos outros animais.

Na sua história biológica como ser vivo, o Homem foi conquistando as suas capacidades, as quais lhe serviram como sistema de relação com o meio que o envolvia; nessa interação sistemática surgiu o desenvolvimento do correr, saltar, lançar, primeiro por necessidade de sobrevivência, depois, por prazer, por necessidade biológica de movimento. Nasceu assim o espírito lúdico desportivo.

O Atletismo, palavra de origem grega (Aethlos = esforço) é uma atividade que se desenvolveu tendo por base o aproveitamento e aprimorar de certas capacidades específicas do Homem – o que unido ao espírito desportivo que já mencionámos, se constitui num conjunto de atividades lúdicas. Praticadas desde épocas muito antigas nos momentos de ócio e por um grande número de culturas que interpretavam perfeitamente este tipo de prática segundo o seu próprio cosmo – celtas, gregos, culturas pré-colombianas, povos africanos, etc.

Os historiadores não falam contudo nesse Atletismo, mas sim tão só naquele enquanto organização competitiva. Alguns baixos-relevos nos mostram que na África, os Egípcios e diversas raças asiáticas, já praticavam um Atletismo primitivo.

Na nossa Europa, são os Irlandeses e os Gregos os primeiros, por alturas do século XIX a.c.. Crê-se que eles se ignoravam mutuamente, embora as suas caraterísticas acrobáticas praticadas por rapazes e raparigas, tenham pouca diferenciação.

Nesses tempos longínquos, o Atletismo era sobretudo composto de concursos: saltos e lançamentos. Haveria, certamente, também corridas, mas estas num grau sempre mais fraco pois que a não existência do cronómetro dava aos resultados apenas um valor relativo, enquanto que à medida dos lançamentos e saltos, dando-lhes um valor nitidamente absoluto e concreto, permitia-lhes desenvolver melhor o seu espírito de emulação.

Na Grécia, os jogos mais antigos são os Olímpicos; conhece-se a sua existência já desde o ano 884 a.C., todavia a sua história oficial data apenas do ano 776 a.C. Alternando com estes aparecem em 527 a.C. os jogos Pítios, e logo após, os Ístmicos e os Nemeus que aparecem em 517 a.C.

Todos estes jogos essencialmente atléticos eram realizados com um extraordinário cerimonial religioso.

O intercâmbio dos povos traz-nos depois um desenvolvimento e uma generalização cada vez maior destes torneios atléticos, em que as caraterísticas de cada povo influenciam na escolha das suas especialidades preferidas.

Mas quando teria começado este atletismo mais moderno, já regulamentado, aquele que se pratica hoje?

Narrativas do século XII dizem-nos que o rei Henrique II da Inglaterra foi um grande animador de concursos, especialmente dos lançamentos do martelo de ferrador com cabo de madeira, da barra e da pedra.

Entre o século XIII e XIV, os Escoceses organizam jogos em que inventaram um lançamento cem por cento original, o «Tossing the Caber». Este lançamento consistia em atirar ao ar um tronco de árvore de 4 metros de comprimento e cerca de 50kgs. de peso, previamente erguido por uma das extremidades, com as duas mãos e bem apoiado ao peito. O atleta lançava-o o mais longe possível de maneira que caísse com a extremidade superior. Não há porém recordes deste «Carber», pois que o tronco não era devidamente regulamentado, nem no seu comprimento nem no seu peso.

No século XV organizam-se jogos atléticos na Suiça, quer em Bâle, quer em Zurich – corridas de velocidade e fundo, saltos e lançamento da pedra. Entretanto na Inglaterra, apesar do grande entusiasmo de Henrique V pelas corridas, apenas a classe trabalhadora pratica o atletismo.

Quanto mais avançamos cronologicamente ao longo dos séculos, notamos todavia um interesse crescente pela corrida a pé. No século XVII fazem-se as primeiras experiências de cronometragem, em percursos de umas cidades para outras. Aparece no século XVIII o Atletismo profissional praticado pelos estafetas e boletineiros e muito especialmente pelos lacaios-corredores que puxavam as carrinhas-cadeiras dos aristocratas. Estes lacaios eram exactamente escolhidos para esta tarefa, pelas suas qualidades de bons corredores. No entanto, contra o que poderíamos desde já concluir, não é um lacaio corredor que estabelece o primeiro record da hora. Este primeiro recordista que percorre 17 km e 300 m ao fim duma hora, é nem mais espantosamente do que Thomas Carlisle – um dos grandes escritores filósofos da sua época, em 1740. Foi tão grande o seu feito, que só em 1788, após 48 anos, se melhorou este record.

No século XIX o profissionalismo atinge o seu máximo, ao mesmo tempo que nasce o interesse pela imprensa desportiva, em 1838. grandes profissionais da América fazem sensação.

O pele vermelha canadiano Louis Beunet era conhecido universalmente por Deerfoot, o pé de gamo. Ele quase que constrói uma mitologia sobre o seu nome, torna-se o «Invencível» com os seus records da hora.

Entretanto o atletismo amador, aquele que nos interessa, acima de tudo, vai crescendo lentamente. O capitão escocês Barclay Allasdyce é cantado por cronistas por causa dos seus feitos. No quarto da milha (402 m.) ele faz já um tempo de 56’’. Entre 1796 a1808 ele é praticamente invencível.

O britânico Rugby cria no seu célebre Colégio, não somente o desporto que recebe o seu nome, mas também em 1837 a primeira prova anual de corrida a pé: a «Crick Run» reservada aos alunos com mais de 17 anos. O sucesso desta prova passa as fronteiras britânicas, porque Thomas Hughes a descreve ao mundo em 1857 no seu livro Tom Brown que se torna a mais velha descrição do atletismo moderno.

Em 1850, este animado movimento sempre crescente invade as escolas e a universidade. Em 1857 Cambridge organiza os seus campeonatos. Em 1860 Oxford segue-lhe as pisadas. Pouco depois começam os grandes encontros entre estas duas escolas. Este grande exemplo serve de impulso para a organização de movimentos extra-escolares. Cria-se em 1868, o Amateur Athletic Association, organismo este que passou a dirigir o atletismo britânico. Em 1868 o New York Athletic Club organiza a sua primeira manifestação.

Daí para cá o interesse é cada vez maior através do mundo. O homem amador tenta ser exímio em mais que uma prova. Ele tenta reunir em si, todas as qualidades de um atleta completo. Nos países baixos, na Inglaterra e mesmo na Suécia, os jovens realizam concursos de duas provas, o diatlo, de três provas, o triatlo, de seis provas, o sexatlo e de sete provas, o hepatlo. Nos Estados Unidos, em 1884, estes concursos eram organizados especialmente para os atletas equilibrados, que não conseguem ganhar concursos individuais. O Amateur Athletic Union escolheu 10 provas para estes concursos: 3 corridas, 3 saltos e 3 lançamentos e uma prova de marcha, o decatlo. Em 1906, nos jogos de Atenas figurava um grupo de 5 provas, o pentatlo, salto em comprimento, lançamentos do disco e do dardo, uma corrida de estádio e luta.

Este tipo grego de pentatlo é substituído em Estocolmo, em 1912, por um pentatlo Atlético: 200m, comprimento, dardo, disco e 1500m. Substituiu-se a luta por uma prova de resistência. A partir de 1924, o decatlo torna-se a prova base dos atletas completos. Esta prova foi sofrendo várias modificações na sua constituição. Ela exige uma técnica aprofundada para cada uma das provas parcelares que é difícil de ser captada na sua totalidade. É tida, como a Maratona, como uma prova para os super-homens. Porém, um concurso de 4 provas, o tetratlo realizado num único dia, ajuizou melhor a aplicação prática dos elementos fundamentais do atletismo: velocidade (100m), resistência (1000m), elasticidade (salto em altura), e força (lançamento do peso).

O cross-country, conhecido em português por corta-mato, é uma corrida feita através do campo. Esta corrida realiza-se de uma maneira geral na época de Inverno, ela deriva da corrida de fundo. A Europa Ocidental sempre foi sua grande adepta. As suas origens vêm de Inglaterra, onde se organizam pelos fins do século XIX – por 1870, os primeiros corta-matos, numa distância de 9 a 10 milhas (14,5 a 16 km). A França adopta o corta-mato pelo ano 1880, e a primeira competição oficial fez-se em 1887.

Em 1907, reuniram-se a Inglaterra, a Irlanda, a Escócia, o País de Gales e a França para o 1º Campeonato Internacional de corta-mato. Bem secundados por outras nações tais como a Bélgica, a Espanha e Portugal, e mais recentemente pela Tunísia e Marrocos, esta prova vai alargando internacionalmente o seu âmbito ao ponto de passar a denominar-se o «Cross das Nações».

 

OUTROS ASPETOS HISTÓRICOS

 

Quando, no século passado, se começou a proceder, em Inglaterra, ao agrupamento e a regulamentação de certas práticas atléticas ancestrais com o nome de Atletismo, estas formaram o núcleo base de um dos mais importantes fenómenos sociais do nosso tempo – os Jogos Olímpicos Modernos. O Atletismo tinha-se convertido num desporto cuja antiga conceção de esforço” se transforma numa dura competição para superar uma marca, ou seja, os limites do ser humano são representados pelo record através de práticas tão antigas como o próprio Homem – o Atletismo como medida do Homem.

Nos nossos dias, o atletismo engloba um conjunto de várias disciplinas desde as corridas, aos lançamentos, passando pelos saltos e por provas combinadas. Durante o séc. XIX foram modificadas regras, primeiro, nas Universidades onde se organizavam as competições de atletismo e, mais tarde, pelos organismos internacionais e olímpicos para, em 1926, assumirem a sua forma atual.

A pista, no formato de hoje, um circuito de 400 m, surgiu pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, em 1928. O seu desenvolvimento acompanhou as transformações tecnológicas, desde o tempo em que eram de terra batida, passando pelas de cinza até às atuais, de fibra sintética, denominadas de “tartan”, pela primeira vez usadas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964.

A partida baixa, ou de cinco apoios, surgiu em 1888 por C. H. Sherril, mas só foi reconhecida em 1896 na primeira Olimpíada Moderna. Até 1936, os atletas eram autorizadas a fazerem “covas” na pista para fixarem a ponta dos pés, após esta data, foram introduzidos oficialmente em competição os blocos de partida.

Em 1870, começou a utilizar-se uma linha suspensa entre duas estacas, da partida à meta (prova de 100 m), para demarcar o espaço entre os concorrentes. Esta seria substituída pela atual linha branca no solo, ainda antes da primeira Guerra Mundial.

Até aos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, em todas as corridas, na linha de chegada, era colocado um fio de lã no mesmo plano da meta para facilitar aos juízes, nas chegadas mais confusas, a deteção do primeiro classificado. Em 1912, nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, é usada uma câmara ligada a um cronómetro. Mais tarde, foi utilizada uma máquina de filmar, nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, em 1928.

Com o desenvolvimento da eletrónica, a máquina de filmar foi substituída pelo “Photofinish” – fotografia de chegada; é um equipamento de alta precisão, automático, fotografando simultaneamente o registo de chegada dos concorrentes e os respetivos tempos.

Para o controlo do vento, é utilizado um instrumento de medição chamado anemómetro, nas corridas de 100 m planos, 100 m e 110 m barreiras e nos saltos em comprimento e triplo salto. Para homologação de record, o máximo regulamentar é de 2 m/s de vento favorável.

A origem do cronómetro é assinalada no ano de 1862, com tempos até aos quartos de segundo, para 1922 ser registado até ao décimo de segundo. Mais tarde, um grande impulso foi dado pelos Japoneses nos Jogos olímpicos de Tóquio, em 1964, com o uso de computadores com o objetivo de tornarem tudo mais rigoroso. Contudo, seriam os Jogos Olímpicos do México, em 1968, a proporcionarem a cronometragem eletrónica aos centésimos de segundo. Outras melhorias técnicas foram empregues, tais como: laboratórios para o controlo anti-doping e determinação do sexo, células fotoeléctricas, os mostradores automáticos, os colchões de queda para os saltos em altura e com vara.

Também o equipamento sofre alterações com o decorrer dos tempos. As sapatilhas que inicialmente eram flexíveis (pele de cabra) e de sola lisa, surgiram posteriormente na Inglaterra apresentando tiram na sola com o objetivo de aderirem às pistas mais areosas. Em 11 de Novembro de 1868, o americano William B. Curtis apareceu com os sapatos de “bicos ou pregos”.

Nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, 1928, introduziram-se algumas provas no calendário olímpico, com destaque para o setor feminino: os 100 m, 800 m, estafeta 4 x 100 m, o lançamento do disco e o salto em altura.

Mas seria na década de oitenta que grandes mudanças se dariam no atletismo feminino, terminando assim um longo debate e simultaneamente quebrando algumas incompreensões. Tal deveu-se ao avanço da medicina desportiva e à crescente atitude da mulher face ao desporto contemporâneo. Por isso, é pela primeira vez incluída a corrida de 3000 m planos e a maratona nos Campeonatos da Europa, em Atenas, 1982, tendo-se sagrado vencedora, na maratona, a atleta portuguesa Rosa Mota, repetindo o êxito em 1986 em Estugarda, e em 1990 em Split.

 

HISTÓRIA DO ATLETISMO EM PORTUGAL

 

Fazendo a referência à história do Atletismo em Portugal, pode-se dizer que a primeira prova oficial deste desporto foi organizada pela Sociedade Promotora de Educação Física Nacional, a 26 de Junho de 1910, com o título “Jogos Olímpicos Nacionais”. Estes torneios prosseguiram até cerca de 1914, ano em que uma dissidência levou alguns clubes a fundarem a Federação Portuguesa de Sports, cuja atividade durou até 1916. Desde essa data até à fundação da Federação Portuguesa de Atletismo, em 5 de Novembro de 1921, o Atletismo manifestou-se apenas em organizações particulares à custa do esforço de alguns clubes.

Atualmente as competições oficiais estendem-se praticamente ao longo do ano inteiro, organizadas pelas Associações Regionais e pela Federação, sendo os Campeonatos Nacionais Masculinos (individuais e por equipas) os mais importantes conjuntos de provas que se efectuam em Portugal. Embora lento, o progresso do Atletismo Nacional não deixou de verificar-se. Para tal, tem contribuído de certa forma, a participação de atletas e equipas nacionais em competições internacionais, e a conquista de alguns títulos. De todos os títulos conquistados, importa referir os alcançados pelos grandes atletas nacionais que foram Rosa Mota e Carlos Lopes. De acentuar que Rosa Mota foi a vencedora da primeira maratona feminina realizada num campeonato da Europa, em 1982, em Atenas. Mais recentemente os atletas que têm estado mais em foco são Fernanda Ribeiro, com a medalha de ouro alcançada nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, e Paulo Guerra, com o título de Campeão Europeu de Corta-mato.

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